Impacto do biodiesel no agronegócio



Segundo definição do governo federal, o biodiesel é um combustível renovável obtido a partir de um processo químico denominado transesterificação. Por meio desse processo, os triglicerídeos presentes nos óleos e gordura animal reagem com um álcool primário, metanol ou etanol, gerando dois produtos: o éster e a glicerina. O primeiro somente pode ser comercializado como biodiesel, após passar por processos de purificação para adequação à especificação da qualidade.


Em termos de vantagens, o biodiesel proporciona diminuição da emissão de gases poluentes, do efeito estufa e da poluição atmosférica, é fonte de energia renovável, pode substituir o uso de combustíveis fósseis, aumenta a vida útil dos motores, não é tóxico nem corrosivo, apresenta baixo risco de explosão e facilidade de armazenamento. Sobre desvantagens, aumenta o desmatamento, eleva os custos dos insumos, diminui a produção de energia, é mais caro que o diesel e ainda há poucos postos de abastecimento.


No Brasil, a combinação de biodiesel com diesel fóssil teve início em 2004, e em 2008 virou lei, sendo inicialmente cobrada a inserção de 2% e aumentando, até que atingisse 13%, em março de 2021. Conforme a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estimava-se um viés de alta para este número, sendo esperado atingir 15% em 2023, entretanto novos fatos do cenário político atual fizeram com que a realidade se mostrasse diferente.


No intuito de segurar preço do combustível, que já acumula alta de 36,14% nas refinarias em 2021, na segunda semana de abril o governo decidiu reduzir a exigência de mistura do biodiesel no diesel de 13% para 10%, queda mais abrupta desde o surgimento da lei. Essa decisão reflete em diversos setores, com impactos diferentes, positivamente no de transportes, por exemplo, e negativamente nas produtoras de biodiesel, que tem o Rio Grande do Sul como líder, onde o planejamento teve de ser mudado subitamente.


No agronegócio, o impacto também é negativo. Com a redução na mistura para 10%, a expectativa é que o consumo de óleo de soja diminua em 650 mil toneladas ao ano, pois este representa mais de 70% da matéria-prima do biodiesel brasileiro, enquanto o esmagamento da oleaginosa deve recuar cerca de 3,25 milhões de toneladas no período. Também como consequência, deve haver redução na produção de farelo de soja, causando um aperto de oferta e alta de preços para a indústria de carnes, que utiliza o insumo na alimentação animal.

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