Como a tecnologia pode auxiliar na pecuária leiteira



O leite é um alimento rico em proteínas, cálcio e vitaminas, que consiste em uma das maiores riquezas do agro. A pecuária leiteira é uma atividade que está presente em mais de 1 milhão de propriedades rurais e em cerca de 99% das cidades do país, movimentando a indústria de leite e derivados. Atualmente é o setor mais gera empregos no Brasil, cerca de 4 milhões de pessoas, o que vai de encontro ao seu faturamento, superior a R$ 40 bilhões em 2019, de acordo com o índice de Valor Bruto da Produção(VBP) do Ministério da Agricultura.


Entretanto, alguns desafios vêm sendo enfrentados, como a diminuição na demanda de mercado. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP(CEPEA), desde 2015 há queda no consumo de produtos lácteos, o que se deve principalmente às crises econômicas. Como consequência disso, alguns itens como iogurtes e queijos, por exemplo, passaram a ser considerados “artigos de luxo”.


Outro desafio de extrema relevância na pecuária leiteira são os custos de produção. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa), uma série de custos está envolvida no processo produtivo, cujos quais devem ser adequadamente dimensionados para permitir uma gestão correta, sendo estas despesas: com alimentos concentrados, alimentos volumosos, leite para bezerros, suplemento mineral, medicamentos, vacinas, energia, combustível, inseminação artificial, manutenção, depreciação, BST, material de ordenha, material de consumo, despesas administrativas, impostos e taxas, mão-de-obra permanente e mão-de-obra eventual. Tais encargos, principalmente, aliados a outros fatores, levam a um número impressionante, segundo Paulo Martins, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, a cada 11 minutos um pecuarista de leite brasileiro deixa de exercer a atividade.


Diante desse cenário, é de suma importância se atentar na produtividade, que no Brasil se encontra bastante aquém. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite(Abraleite), a produção média no país é de 5L/dia, enquanto na Nova Zelândia é de 15L/dia, e em Israel chega a 32L/dia. A explicação para essa gigantesca diferença pode se centrar no auxílio da tecnologia, intensamente presente nos países citados com boa produtividade, mas que não é uma realidade para diversos criadores brasileiros.


Frente ao problema exposto, o Brasil começa a dar sinais que intensificou a caminhada pela modernização do setor. Um importante passo foi dado com a Embrapa, que em parceria com a Microsoft, está utilizando Internet das Coisas(IoT), Inteligência Artificial(IA) e análise de dados, para redução de estresse e infecções em vacas durante a produção, bem como aumento da produtividade do leite em sua fazenda experimental, localizada em Minas Gerais.


Recentemente outro avanço significativo foi apresentado: o aplicativo Mast Check. Lançado em junho de 2020, é gratuito e ajuda o produtor a fazer o controle da mastite em seu rebanho, basta realizar o download e registrar as vacas em tratamento que o aplicativo gera um plano de ordenha, já informando qual a vaca a ser tratada, o teto e o tratamento iniciado. Esse auxílio à gestão pode causar grande impacto positivo, pois de acordo com a Embrapa a mastite acomete cerca de 20% a 38% de todo rebanho nacional, o que reflete diretamente na produtividade.

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